Com está sendo a tentativa de grandes marcas de fazer moda sem gênero

Ei, gente! O primeiro semestre de 2016 está quase no fim e foi marcado pelo bafafá das coleções sem gênero.  A sociedade que construímos dividiu o mundo de forma binária, onde existem coisas/comportamentos/roupas/funções de homem e de mulher. Ignorando que os indivíduos são seres muito mais complexos do que apenas divididos em duas categorias rígidas e insuficientes para encaixá-los.

Dentre os bilhões de pessoas no mundo, muitas não se identificam e/ou não se satisfazem apenas com essas duas opções. Por conta disso, existe hoje uma movimentação cultural e política questionando o equívoco das classificações binárias de gênero, propondo que existam coisas feitas para pessoas. E só.

Moda sem gênero em 2016, está rolando?

A moda faz parte de todo esse processo social e histórico. Tanto da cristalização desse padrões, quanto do questionamento e resistência a eles. As pessoas usam, entre outras coisas, as vestimentas para se expressar e construir sua identidade. Algumas marcas tentaram se incluir nessa evolução e criaram coleções sem distinção de gênero. Mas nem sempre tem funcionado.

  • Coleção sem gênero da Zara

Em março, a Zara lançou sua coleção sem gênero. Foi uma baita decepção. As peças se resumiam basicamente a jeans, moleton e t-shirt  branca. Acorda, Zara! Isso sempre esteve dentro das raras exceções chamadas de “unisex”. Não dava para expandir um pouco? Trazer um pouco mais de criatividade? Nem cores a coleção teve. Estampa? Também não.

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  • Tudo lindo e misturado da C&A (ou não)

A C&A causou um reboliço na internet quando lançou a campanha “Tudo Lindo e misturado”, com um rapaz de vestido no vídeo. Logo, todos concluíram que se tratava de uma coleção sem gênero, embora a propaganda não falasse isso.

A ideia era misturar as referências masculinas e femininas. Mas, no fim das contas as peças ainda seguiam os mesmos cortes e modelos tradicionais. E, ao entrar na loja, lá estavam bem delimitadas as seções “masculina” e “feminina”. Então, nada de novo sob o sol.

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  • Coleção acertada e sem gênero da Gucci

Quem chegou mais próximo de subverter os padrões de gênero foi a coleção verão 2016 masculina da Gucci. O criador Alessandro Michelle trouxe referências femininas como estampas, cores pastéis, laços, babados, bordados, rendas e silhuetas diferentes para as roupas masculinas.

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Foi o mais perto de acertar em 2016 na tentativa de romper com padrões de gênero. Porém, tem algo que me incomoda. A maioria das grandes ações nesse sentido incorporam elementos femininos ao que é considerado masculino, e o movimento contrário? Parece que para as mulheres é mais difícil abrir mão do que é padrão e considerado elegante na moda.

  • Outros pequenos acertos

Ainda nesse movimento do homem absorvendo o feminino, teve o Jaden Smith modelando nas fotos da coleção feminina da Louis Vuitton. Sabemos que para homens famosos (com algum privilégio) já é admitido usar saia, enquanto a bicha afeminada da vida real ainda sofre violência na escola, na rua e é rejeitada até no próprio meio gay. Poréeeeeeem a campanha é positiva, visto que pode abrir um pouco a cabeça das pessoas, para deixarem as outras em paz em relação à sua expressão de gênero. E, além disso, ficou lindíssima.

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Outra bola dentro foi da Avon, as últimas campanhas da marca trouxeram como estrelas a Candy Mel, vocalista da Banda Uó, e que se identifica como trans , e a drag (também cantora) Pabllo Vittar. Nesse caso, feminino e masculino continuam bem definidos. Mas, é um espaço de beleza e referência que foi aberto à pessoas não binárias, o que ainda é difícil. Geralmente quem não é cis só consegue espaço dentro de um público muito específico, e não em campanhas massivas.

Candy Mel foi a segunda mulher trans brasileira a protagonizar uma campanha publicitária de produtos de beleza (a primeira foi Maria Clara Araújo com a marca Lola Cosmetics), e a primeira a participar de uma peça dentro do #outubrorosa.

Fora do Brasil, o reality show Rupaul’s Drag Race (é nosso trabalho divulgar e enaltecer) popularizou um pouco mais a arte drag, levando algumas de suas participantes a estrelarem propagandas de maquiagem, entre outras. No Brasil, a Avon contratou a Pabllo Vittar para ser uma das modelos da última campanha.

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A evolução na superação dos padrões de gênero tem sido bem lenta, com muitos erros e alguns pequenos acertos. Mas, vamos caminhando. Bora fazendo. Ainda espero estar viva para ver pessoa não binárias sendo estrelas também fora do segmento de beleza (a ligação maquiagem e drag é óbvia, por isso pouco revolucionária). Espero ver trans, drags e andrógenos tentando nos carro, casa, viagem, etc. Na moda, precisamos de mais do que um ou outro homem de saia. Mas há uma esperança né?! O que acham? Comentem aqui se vocês conhecem alguma outra peça ou coleção bacana!

 

 

Sobre mulheres incríveis e dicas de filme: Nise – o coração da loucura

Ei, gente! Hoje trago a indicação de um filme muito bonito e delicado, sobre a história de uma mulher incrível: “Nise – o coração da loucura”. Vocês já ouviram falar em Nise da Silveira? Todas nós deveríamos conhecê-la, por isso esse post não vai ser só sobre o filme, mas também sobre a trajetória dela.

A luta de Nise da Silveira

Nise é uma mulher de grande importância para a história da saúde no Brasil. O passado da psiquiatria mundial e brasileira tem uma parte bastante obscura, com métodos de cura extremamente violentos, falta de humanidade no tratamento do paciente e até a morte de muitos deles. O livro “Holocausto Brasileiro”, conta parte dessa história de uma forma muito competente, mas essa já é outra dica.

Essas práticas foram abolidas após muita reivindicação do movimento Reforma Psiquiátrica. A partir do fim da década de 1970, essa luta se organizou no Brasil e teve como principal conquista a Lei 10216 de 2001, que garantiu o direitos dos portadores de desordens mentais e redefiniu as diretrizes da saúde mental, colocando os manicômios como último recurso e criando centros de atenção psicossocial e convivência

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A organização social e mobilização dos trabalhadores da área em torno da luta aconteceu apenas nos anos 1970, mas, na década de 1940, Nise já havia começado a militar por essa causa através do seu trabalho. No hospital em que atuava, realizava atividades diferentes das convencionais, baseadas em outros olhares sobre o sofrimento psíquico e utilizando leituras de Jung, entre outros autores.

Nise enfrentou muita resistência, mas seguiu firme. Os obstáculos vinham tanto do conservadorismo da psiquiatria, quanto do machismo. A médica foi a única mulher a se formar em uma turma de 158 alunos. A presença na Faculdade de Medicina da Bahia foi sua primeira afronta à sociedade da época.

Na década de 1930, já no Rio de Janeiro, Nise foi aprovada em um concurso público de psiquiatria e posteriormente presa pelo governo de Getúlio Vargas, por conta da posse de livros marxistas.  Após um período afastada dos serviços públicos por razões políticas, Nise volta a atuar em 1944, dessa vez no Hospital Dom Pedro II.

Nise- O coração da loucura

O filme relata justamente esse período da vida da psiquiatra. Nise se recusava a fazer o mesmo que seus colegas no Dom Pedro II, e acabou sendo realocada para a desprezada unidade de terapia ocupacional. A obra mostra com muita beleza o trabalho humanizado que Nise realizou, a forma como compreendeu a biografia e o sofrimento dos internos, extraindo das pinturas deles o que intitulou  de “imagens do inconsciente”.

Glória Pires interpreta Nise com maestria, e o filme ainda conta  com atuações incríveis de Simone Mazzer, Fabrício Boliveira, Júlio Adrião, entre outros tantos que fizeram um trabalho maravilhoso de se ver. As locações foram em Engenho de Dentro, onde tudo aconteceu na vida real, o que ajudou a compor a atmosfera do ateliê de artes idealizado por Nise.

Nise, a mulher incrível

Tudo que foi conquistado nas últimas décadas na melhoria da saúde mental, teve início na força de uma mulher que não abaixava a cabeça para ao que lhe foi imposto. Tentaram parar Nise diversas vezes, pelos colegas de turma da faculdade, pelos colegas do hospital que não admitiam ter seu conhecimento científico masculino e elitizado contestado por uma mulher pequenina, alagoana e desobediente.

Nise resistiu como todas nós.  E graças a sua imensa força e ao movimento pela reforma psiquiátrica que surgiu décadas depois, os portadores de desordens mentais e/ou sofrimentos psíquicos são tratados com alguma dignidade hoje.

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Além do trabalho no Dom Pedro II, Nise foi autora de uma produção literária e acadêmica sobre o tema  com cerca de dez  livros e alguns artigos científicos. Sua obra mais conhecida é o livro “Imagens do inconsciente”. Nos deixou em 1999 com toda essas realizações como legado

A médica foi pioneira na introdução da psicologia junguiana no Brasil. Seu trabalho foi reconhecido internacionalmente e recebeu diversos prêmios. Porém, poucos brasileiros conhecem a importância de Nise e de outras tantas mulheres que transformaram um pouco esse mundo.

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MET GALA 2016 e a leitura que o mundo da moda faz da tecnologia: muito prateado, materiais inovadores e moda sustentável

Ei, gente! A primeira segunda-feira de maio traz consigo um dos maiores eventos da moda, o  baile de gala do Metropolitan Museum of Art, ou MET Gala, que acontece em NY. A edição de 2016 teve como tema “Manus x Machina: fashion in an age of technology”, traduzindo: a moda na era da tecnologia. Além de looks icônicos, o baile do MET  2016 serviu para a gente observar o que leitura os estilistas, celebridades e outras referências de moda fazem da relação entre essas duas coisas na atualidade.

Os convidados não são obrigados a seguir o tema, por isso muitos vão com o mais do mesmo da roupa de gala. Outros adotam o tema e usam de inspiração para o look inteiro ou usando algumas referências. Sobre esses que vamos falar, pois aqui nós não gostamos de quem não respeita festa temática.

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Prateado e futurismo de sobra

A primeira coisa que pensamos quando lemos “moda e tecnologia” ainda é o prateado e aestética futurista como referência. Não só nas nossas cabecinhas, mas também dos estilistas e das famosas. Esse cliché dominou o tapete vermelho do MET Gala. Mas, apesar da escolha não ser muito original, alguns looks foram bem bonitos.

Kim Kardashian estava linda mesmo parecendo um robozinho.

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O resto da família também. Olha a Kylie Jenner

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Brie Larson

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Cindy Crawford:

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Curti bastante o metalizado da Jourdan Dunn:

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O meu preferido dessa leva prateada foi o da Alessandra Ambrósio, que misturou referências usando um Balmain feito de cordas com o cinto metalizado dando um ar futurista:

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Tecidos inteligentes no MET Gala

Não só da cor prata sobrevive o casamento entre moda e tecnologia. A segunda possibilita muitas inovações para a primeira, entre elas, os tecidos inteligentes. E o maior destaque vem deles: o vestido de cinderela feito com LED da Claire Danes.

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Ousado, né?! Quem também usou vestido com LED foi Karolina Kurkova com um vestido cognitivo, que muda de cor de acordo com o humor de quem usa.

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O vestido é bonito, mas esse lance de mudar de cor com o humor pode causar muita saia justa. Imagina usá-lo tentando ser simpática em uma festa cheia de gente chata? Achei sincericídio

Ainda nos tecidos inteligentes, Beyoncé está passando por esse post para abençoar você, usando Givenchy  de látex . Dizem as más línguas que ela foi vestida com a camisinha de base, homenageando uma das histórias mais cômicas da internet. Mas achei bem linda a rainha Beyoncé. E devemos comemorar cada vestido não-prateado (ou similar) que aparece nesse evento.

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Moda Sustentável

Outra interpretação possível da relação moda e tecnologia é a utilização desta para fazer uma moda mais sustentável, a partir de materiais recicláveis. Evitar desperdício nesse planeta é fundamental. Porém, quando falamos em reciclagem muitas ideias que deram errado vem na nossa cabeça.

Thalía a.k.a eterna Maria do Bairro a.k.a rainha da América Latina, por que você está usando uma roupa com CD?????? Não entendi  esse look.

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Mas teve reciclagem que deu muito certo. E foi a utilização da tecnologia que mais gostei, para evitar desperdícios nesse mercado responsável por tanto consumo desnecessário.

Existe reaproveitamento de pet que dá certo. Emma Watson estava lindíssima com esse look Calvin Klein, cujo o tecido foi produzido com garrafa pet.

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Lady Gaga parou de usar roupas convencionais e igual a todo mundo, felizmente, e voltou a ser Lady Gaga. Ainda bem que a normalidade foi só uma fase. Arrasou na jaqueta. Li de fonte não confiável que a peça foi feita com placas de celular, mas ta difícil confirmar a informação pois parece que a Gaga usar body, meia arrastão e saltos enormes ainda é chocante para a sociedade, e  mais relevante do que avaliar a interpretação do tema tecnologia no look.

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Além dessas três interpretações da união entre moda e tecnologia, qual outra vocês colocariam em looks? Tem outro do MET Gala que chamou atenção? Comenta aqui pra gente conversar!

 

 

 

Começou a oitava temporada de Rupaul’s Drag Race, e está maravilhosa

Ei, gente! Para muitas pessoas o ano só começa após o carnaval. Para nós, fãs de Rupaul’s Drag Race, o ano começou essa semana, junto com a oitava temporada que estreou segunda-feira nos EUA. Esse post contém spoilers, se você ainda não assistiu o primeiro episódio, corre lá na página All Rupaul que tem os links para baixar ou assistir online.

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Confesso que não estava ligando muito para a oitava temporada, porque queremos mesmo é o All Stars 2 logo (Temporada que a Rupaula faz com queens magníficas que já participaram, mas não levaram o prêmio). O primeiro episódio foi uma maravilhosa surpresa, já estou amando essa temporada mais do que a anterior.Esse foi o de número 100 e Rupaula não deixou por menos, trouxe todas as winners e várias outras participantes anteriores para participar.

Eu amo começo de temporada,  adoro a parte em que elas entram closando e se apresentando. Sempre tem looks incríveis para causar boa impressão. Nada supera a quinta temporada com Alyssa e Coco se descobrindo colegas, mas esse foi muito fofo. Estou amando (quase) todas as queens e queria um “top 3” com cinco rainhas.

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Ela já está no meu top 3 pessoal. Geralmente, não fico fã das queens que parecem top model, porque costumam ser enjoadas e meio megeras (embora, venere a Raja porque não tem como não ser assim). Mas Naomi é uma fofinha. Da vontade de abraçar essa simpatia.

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E esse visual? Essa peruca maravilhosa? O look da passarela deixou meio a desejar, queria mais do desafio do barco. Foi ok.

Atenção para o toque de cinco motivos para enaltecer, amar e colocar Naomi Smalls no top 3.

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Cynthia Lee Fontaine

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Outro amorzinho de drag porto-riquenha. É engraçada e um pouco caricata. Toda hora faz a gente rir falando do seu cucu, mas isso tende a perder um pouco a graça. Por enquanto, já nos rendeu bons memes.

 

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Dax é uma drag maravilhosa, amiga da Violet, rainha dos nerds, ama fazer cosplay e apareceu vestida de tempestade. Um tiro! Tempestade arrasa muito. Dax também. Tem tudo para ganhar nossos corações ao longo da temporada, mas apareceu  pouco nesse primeiro episódio (poxa, edição!) Queremos mais Dax!

Naysha Lopez

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Junto com a Cynthia, honra o legado maravilhoso das queens porto-riquenhas que sempre arrasam. Neysha é uma drag de concurso de beleza lindíssima. Escorregou no desafio e, infelizmente, foi a primeira eliminada, tinha gostado bastante dela.

Acid Betty

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Ante de começar, achava que Acid Betty seria uma das minhas três preferidas. Adoro o estilo dela, ela é talentosa demais e experiente. Mas, não achei a persona tão divertida, achei muito bitch. Realmente é ácida. Fiquei um pouco sem paciência dela reclamando da Bob  no werkroon. Se a senhora foi para uma corrida de drags, tem que se acostumar com o barulho.

Mas, foi só um episódio. E o trabalho dela é realmente incrível, então, posso retirar tudo que estou dizendo.

Atenção para o toque de três motivos para que ela vire top 3.

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Robbie Turner

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Robbie chegou arrasando com esse look cheio de glamour hollywoodiano, mas cadê simpatia? Não tem. De Seattle, amiga da Jinkx, estava até com a mesma peruca que ela no episódio, porém, discordo de quem diz que são irmãs. Só se a Jinkx for a Ruth do meio drag e a Robbie for a Raquel, porque ela não tem nada do amorzinho da rainha da quinta temporada. Distribuiu veneno e ainda gongou a rainha Sharon.

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Respeita a realeza, monamu!

Na hora das críticas dos jurados disse que não merecia estar entre as últimas por conta da sua personalidade(????).  E foi mal porque, apesar de ganhar o beneficio de escolher o tema de cada uma, ESQUECEU que tinha que designar o próprio desafio.

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Really queen???????????????

Kim Chi

Outra grata surpresa. Eu não pesquisei muito sobre as queens antes de começar, e nas fotos promocionais Kim Chi não tinha  me conquistado. Pensei que ia ser uma segunda Trixie, misturada com Pearl. Mas, no primeiro episódio ela se mostrou tão fofa e incrível. Ganhou meu coração em segundos. Foi meu look preferido das entradas das candidatas, e o a passarela também.

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A graça do desafio neste episódio era relembrar alguns anteriores, icônicos na história do Drag Race. Kim Chi ficou com um dos meus favoritos (arrisco dizer O favorito): o da alta costura de cabelo. Até hoje eu não superei drag queens fazendo roupas maravilhosas com PICUMÃS. Kim Chi se inspirou em Givenchy e fez esse look incrível, maravilhoso, ganhando o primeiro desafio e um lugarzinho no meu top 3.

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Atenção para o toque de cinco motivos para enaltecer, amar e colocar Kim Chi no top 3.

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Mais uma queen comediante. Achei ela mediana. Na verdade, já comecei a assistir contaminada por um episódio da premiere, em que ela foi fantasiada de big queen.

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Será que foi para debochar de quem criticava a edição por não ter drags gordinhas? Ou será que foi para criticar a falta de big queens mesmo? Se fantasiar de quem sofre opressão é meio close errado, mas as big queens que devem opinar sobre isso.

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Além disso,  não vamos julgar a drag por conta de um close. A história dela tem muito mais do que isso. Vamos aguardar mais episódios, ela parece boa pessoa e seus visuais são legais.

Bob The Drag Queen

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Amei esse nome, a explicação dele. Amei o visual. Amei a personalidade. É minha favorita até agora.  É a melhor pessoa, gente! Chorei de rir com a sessão de fotos dela.

 

Bob é uma drag queen linda, com o talento e a experiência das drags de New York e uma excelente comediante.  Faz você rir o tempo todo e encanta, tal qual a Bianca, porque joga uns shades de humorista, mas o coração é de mãezona.

Atenção para o toque de cinco motivos para enaltecer, amar e colocar Bob The Drag Queen no top 3.

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Laila McQueen

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É controverso, mas eu amei esse look meio bettlejuice, essa peruca roxa. Também adorei que ela faz a vibe gótica.Simpatizei bastante.

Uma das coisas que deram preguiça da Robbie, foi ela critica a Laila por não estar de salto alto. O sapato combinou, e não é nada básico. Além disso, guuuurl, se Spice Girls usaram, está aprovado só por isso.

Também gostei do look pós-apocalíptico do desafio, não concordo com a  crítica da Michelle Visage de que a parte de baixo estava muito simples.  Achei suficiente.

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Chi Chi Devayne

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Ao contrário da Gia Gunn, I like messy queens, I like cheap queens. Amava a Shangela desde a primeira aparição, com aquela roupa de milho, e ninguém entendia.

Chi chi é maravilhosa, chegou arrasando com um vestido de saco de lixo e se assumiu como cheap queen, dizendo que gosta das maquiagens que custam um dólar. Ela arrasa mesmo sem muito recurso. É bem divertida também. Passou perrengue no desafio com um imprevisto, mas mesmo assim desfilou linda. Já sou muito fã sim e não quero que ela saia.

Derrick Barry

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Outra boa surpresa, não imaginava uma pessoa tão fofinha. Achei incrível a Britney que ela faz, como não amar a Neide no Drag Race?

Já estou na torcida para ela fazer  a Britney no fatídico ano 2007, em algum episódio.

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Vamos ver se Derrick também é boa sem estar imitando a Britney, porque Michelle Visage cobra versatilidade!

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Já queremos segundo episódio

Além de conhecer e amar essas rainhas, foi uma delícia relembrar os desafios queridos, rever as vencedoras e outras participantes. Também fomos agraciados com uma crise de riso, porque Bianca não pôde estar presente na prova da foto com as ganhadoras, e colocaram um palhaço no lugar.

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Como esperar até semana que vem?

 

 

 

 

 

 

Sobre oito de março e a romantização do excesso de trabalho

Ei, gente! Terça-feira é dia deste blog postar sobre moda e já tinha até fotos de um look pronto, mas a mão do textão chega a coçar em um dia como esse. O dia internacional da mulher é cercado de equívocos.  A origem é controversa. A história mais contada é de um incêndio criminoso na data, que matou mais de 130 mulheres grevistas. Outra versão associa o dia oito ao inicio de uma série de atos de protestos das mulheres socialistas. Independente da razão da escolha do dia oito de março, a ONU estipulou o dia para lembrar das conquistas políticas e econômicas das mulheres. A data é política, é de luta, e dados demonstram como ainda é necessário essa visibilidade para as reivindicações femininas. Porém, seu sentido foi esvaziado.

Flores, presentes clichés ligados ao estereótipo estabelecido para feminilidade e homenagens rasas costumam ser o destaque para o dia internacional da mulher. Deixando para segundo plano a discussão sobre equidade de direitos.Quando um aspecto é destacado, outro perde relevância sendo apagado e/ou silenciado. As críticas de muitas mulheres à estas práticas de agrado  se concentram nesse apagamento da questão social e política que a data representa.

Poderíamos debater mais sobre isso aqui, mas muitas mulheres já produziram excelentes textos sobre a importância do respeito e da equidade se sobreporem às flores. Vamos falar de outra “homenagem”, mais específica e perigosa. Dentre as diversas “felicitações” que a sociedade nos oferece hoje, me incomoda muito a exaltação da mulher guerreira, multifacetada, que dá conta diariamente de uma infinidade de tarefas.

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“Nossa, que amarguradas vocês são, nem aceitam um  parabéns”. Nem tudo que parece simpático, com discurso açucarado e ilustrações fofinhas nos convém. Ao observar que a mulher possui jornada dupla ou tripla de trabalho acumulado, o melhor a fazer é realmente exaltar seu esforço por isso? Não seria o caso da gente questionar porque raios um tipo de pessoa precisa fazer tanta coisa ao mesmo tempo enquanto outras não?

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Essas imagens foram enviadas como uma espécie cartão que nos parabeniza por ser assim, mas deveriam funcionar mais como denúncia do fato de ainda haver uma desigualdade enorme entre os gêneros. Durante séculos, a mulher era confinada ao espaço privado, enquanto o homem ocupava o espaço público. Superamos bastante coisa, é verdade. Mas isto ainda não está resolvido.Ganhamos mais espaço no mercado de trabalho, mas foi apenas algumas concessões. O espaço público ainda é dos homens. Ganhamos menos para exercer a mesma função e segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os salários vão se igualar  daqui há 70 anos. E hoje recebemos cumprimentos felizes  por trabalhar tanto, parabéns por nossa situação de desigualdade, conseguem ver sentido nisso? Ainda falando sobre espaço público, somos mais da metade da população e, mesmo assim, ainda sub-representadas na política.

As pequenas conquistas que já obtivemos não nos dissociaram do espaço privado. A maior parte do trabalho doméstico ainda vai para as nossa costas, e na hora de criar os filhos, nem se fala. Esta pesquisa aqui demonstra que 90% das entrevistadas declara fazer o trabalho doméstico enquanto apenas 40% dos entrevistados o fazem. “Ah, mas isso pode acontecer porque algumas mulheres continuam optando por ficar mais em casa, principalmente por conta dos filhos, etc”. Clique no link e repare que o índice de homens desocupados realizando trabalhos domésticos é menor do que de mulheres desocupadas. Todos vivem nas casas, mas elas ainda são problema nosso. A melhora nessa discrepância nos papéis atribuídos é muito lenta.

Mas, veja só, aquela velha frase “lugar de mulher é na cozinha” saiu de moda ultimamente. Assim como os velhos estereótipos do machão-que-manda-a-esposa-cuidar-da- casa e da dona-de-casa-submissa também estão em extinção. Se esse tipo de relação é pouco observável em 2016, se muitas pessoas já repetem “lugar de mulher é onde ela quiser”, como ainda estamos com jornada dupla ou tripla de trabalho?

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Precisamos refletir e buscar compreender como aspectos culturais se mantém, principalmente quando servem para sustentar desigualdades enormes. Aquele velho aspecto do patriarcado, que obrigava a mulher a se manter em casa através de coerção, violência ou estigma é facilmente combatido, gera bastante resistência e está acabando. Mas outras coisas mais sutis trabalham para manter o status quo.

A romantização do excesso de trabalho em cima das mulheres é uma ótima forma de sustentar isso. Vamos compartilhar essas imagens acima junto com a frase “parabéns guerreiras”, vamos achar lindo uma mulher ter 4837489374384 tarefas ao mesmo tempo enquanto o homem não, e, se reclamarem, vamos dizer que as pessoas estão amargas porque felicitar alguém por sua superação  é algo muito simpático. Vamos tornar bonito que a mulher faça esse tanto de coisa porque, assim, isso fica naturalizado e continua.

Não estou tirando o mérito de guerreira dessas mulheres, só o fato de sobreviver nesse mundo já é motivo para homenagens. Mas se vocês não odeiam as mulheres, não queiram que seja elas fazerem tanto trabalho. No lugar de “parabéns”, que tal “desculpas pelo mundo colocar tudo isso nas suas costas”? Que tal desconstruir de vez essas práticas para que as mulheres possam empregar essa força em outras coisas também? Não queremos que ninguém ache bonito essa imagem da mulher de seis braços tentando estudar inglês enquanto faz todas essas coisas. Queremos ter tempo hábil para estudar algo  depois do trabalho, ou ler um livro por prazer, ou qualquer outra modalidade de lazer ou aprendizado. Problematizar e não romantizar essas obrigações de cuidar da casa, de estar bonita, de ser a mãe perfeita e de ganhar dinheiro para o consumo, seria muito bom, obrigada. A romantização de certas opressões em forma de simpáticas homenagens é muito útil para que elas se mantenham. Vamos usar o oito de março para pensar nisso e em muitas outras injustiças que não acabam.

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Improvisando fantasia com o que tem em casa

Ei, gente! Me mudei para São Paulo em janeiro e ainda não consegui trazer  todas as minhas coisas. Os acessórios de carnaval e fantasias ficaram para trás. Acabei nem lembrando deles. Porém, chegou o dia de conhecer o pré-carnaval paulistano. Existe bloquinho em SP! Eu e o boy decidimos curtir o Acadêmicos do Baixo Augusta em cima da hora, não tive tempo de ir comprar nada e estou apenas com as maquiagens mais básicas aqui.

Não tinha nenhum glitter em casa.

Nenhum cílio postiço.

Nenhuma pluma ou paetê.

Socorro.

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Quem me acompanha aqui e/ou no Instagram sabe que nunca piso em bloco sem estar fantasiada ou com algum adereço carnavalesco.

A mão da montação chega a coçar.

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Coloquei, então, a cabeça para pensar em fantasia improvisada, com o que tivesse em casa mesmo. A primeira coisa que fiz foi ir para a frente da minha arara de roupas e ficar olhando para ver se alguma peça cruzava com alguma referência. Todo mundo tem algo que parece com um personagem, fantasia, etc. Olhei para minha camisa jeans e pensei: “Vou vestida daquela moça do cartaz We can do it!”. Aí lembrei que também não trouxe nenhum lenço.

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Mulher, pelo amor de Rupaul, quem fez tua mala?

Avistei uma blusa ciganinha vermelha, tentei enrolar para virar uma tiara-lenço, deu certo.

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Perto da hora de me arrumar para sair, olhei pela janela o sol forte e vi que seria uma insanidade ir de camisa jeans. Mas fica a dica se você tiver uma opção equivalente, mais compatível com o verão. Voltamos a estaca zero. Nenhuma fantasia aqui.

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Começo a quebrar a cabeça de novo. O que sempre temos em casa, afinal? Alguma peça animal print e lápis preto. Está aí uma pseudo-fantasia de oncinha. Achei a blusa e comecei a fazer a maquiagem.

Primeiro, a pele basiquinha para um dia de calor e olhos com os tons da estampa.

Para a pintura carnavalesca, se você não tem muita prática, use o lápis de olho mesmo, ou então delineador de caneta. Acho o lápis mais firme e mais fácil de obedecer o traço. Antes de tudo, aponte o seu lápis, vai facilitar a vida. Essa make costuma pintar toda a parte de baixo do nariz de preto, mas achei estranho no formato do meu, que tem a base meio grandinha. Então, resolvi fazer um triângulo. Comecei com o contorno e depois preenchi. Desenhei uma linha até os lábios e pintei o superior.

Em cima do traçado de lápis, passei sombra preta com brilho usando um pincel fino. Ajuda a fixar e pigmentar o preto, e dá um brilho, afinal é carnaval.

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Para fazer as pintinhas, pegue um pincel fino, molhe, passe na sombra dourada e faça pintinhas no rosto. Tipo assim:

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Depois contorne de preto, de forma desigual com o lápis apontadinho ou delineador de caneta

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O batom dourado no lábio inferior nada mais é do que batom nude com sombra dourada por cima. Para o look completo: blusa de oncinha, short e um calçado confortável para curtir o bloco, sempre.

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É uma opção fácil de executar, com coisas que geralmente temos em casa. Se você tiver tempo e uns trocados, pode comprar uma orelhinha. Ou qualquer outro acessório de cabeça que case com alguma roupa que você já tenha.

Agora, vou para Juiz de Fora buscar minhas plumas, meus glitters e meus cílios porque meu armário em SP está muito basic bitch! Deixo vocês com imagens da Bianca Del Rio serving felina realness. Imaginem aquele meme expectativa x realidade.

 

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Janeiro e o clássico balanço do ano anterior

Ei, gente! Alô alô graças a Deus! Esse blog voltou das férias, mas que de férias não tiveram nada.

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Deveria estar curtindo janeiro, o verão, mas estava me mudando e terminando a dissertação. Tem algo de errado com essas “férias”.

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Nesse retorno, quero fazer uma balanço do ano passado, contar como o processo relatado aqui foi importante. Desde o fim de agosto, quando resolvi reavaliar minha maneira de consumir e voltar com o blog, até hoje, não comprei nada feito em produções de grande escala e com procedência duvidosa. Ou comprei em brechó, reaproveitando peças descartadas por outras pessoas e evitando o desperdício de novas, ou adquiri roupas e acessórios de marcas de Minas Gerais (meu antigo e amado estado), com responsabilidade social e projetos bem legais. A última vez a passar em um caixa de alguma rede de fast fashion  foi em julho, passeando em Portugal, e antes de mudar minha forma de ver a moda.

É justo dizer que um semestre difícil financeiramente me ajudou. Estava economizando bastante por conta da mudança e outros motivos. É mais fácil se desintoxicar do consumismo de fast fashion quando já não se pode gastar dinheiro. Mas resisti bravamente quando pude fazer compras, e isso me deixa muito feliz. Não me coloquei naqueles desafios de blogueiras. É uma prática muito recorrente nos blogs, acho bem legal, mas não quis mudar minha relação com o consumo assim. Não quis agir de maneira radical, nem colocar como uma meta, pensei em que deveria ser uma transformação de hábitos de dentro para fora, gradativa e eficiente. E foi. Comprei menos e melhor.

Me tornei uma pessoa que consome de forma perfeita? Não. Ainda tenho a sensação de que poderia ter comprado menos nos brechós, algumas vezes me excedi nas peças por conta do preço. E não interessa se custa três reais, se não vai usar muito, não deveria ir para o armário. Mas algumas mudanças são gradativas. Não sou consumista como antes, isso já me deixa feliz. E se já transformei um pouco essa prática, sei que posso ainda mais.

Sendo bem sincera, quando minha situação financeira normalizar é bem possível que eu compre em fast fashion de novo. É preço que seduz, é algo da moda que você quer e não acha nas marcas que gosta, é roupa para trabalhar que precisa ser variada e não ser cara, os motivos que seduzem não faltam. Eles tem sua utilidade. Mas  agora não consigo mais deixar de me importar com a origem da minha roupa, e se for recorrer a isso, vou procurar as redes bem avaliadas em relação a exploração do trabalho (o aplicativo moda livre está aí para facilitar isso). Algumas lojas são comprometidas com o combate ao trabalho escravo, vamos colocá-las nas nossas escolhas.

Ainda na sinceridade, não tenho a ilusão de que sempre saberei a origem de tudo que consumo, não conseguimos todas as informações necessárias. Já comprei em lojas pequenas da cidade e depois descobri que muita coisa era revendida da China. Podemos saber como a roupa de tal marca é confeccionada, mas e o tecido? Dá sempre para saber de onde vem? Muitas vezes nem quem produz consegue saber a real origem de TUDO.  Porém isso não é motivo para fingir que essas coisas não acontecem e usar a clássica desculpa “não da para mudar/saber 100%, então continuo agindo da mesma forma”. Até onde posso receber informação, vou pesquisar. Até onde eu posso saber, usarei o que sei para tomar minhas decisões. Se não posso mudar algo 100%, que mude 30%, 40%.  Mesmo devagar, transformamos.

Dicas para misturar estampas

Ei, gente! Nesse processo de me desintoxicar do consumismo, tenho procurado aproveitar mais minhas peças de roupa. Comprava muita coisa estampada, quase nada liso, então, comecei a abrir a mente para o mix de estampas. E tenho achado super divertido começar a usar combinações diferentes.

Nem toda mistura agrada  todo mundo, mas descobri alguns truques que me ajudaram.

Uma dica  é combinar uma estampa bem colorida com outra mais monocromática, ou então com cores mais neutras.

E  se  uma peça tem desenhos grandes, uma possibilidade de harmonia legal é misturar com estampa pequena.

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Para dias menos ousados, misturo estampas que possuem a mesma paleta de cores. O contraste não fica tão evidente.

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No caso dos vestidos, tenho mais dificuldade porque a estampa ocupa uma extensão maior no corpo. Mas, quem não tem medo de ser feliz faz combinações incríveis com essas peças. Minha escolha foi ficar na zona de conforto do preto e branco, combiná-lo com um poá muito sutil.

Ainda quero evoluir na ousadia com vestidos estampados.

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Na dúvida, listras são fáceis de combinar com diversas outras estampas. Tem sido uma tendência mistura-las com floral.

 

Uma maquiagem de pavão e um cordão megalomaníaco

Ei, Gente! No último domingo, fui assistir ao show da minha drag queen preferida, Alyssa Edwards e da April Carrión, uma queen fofíssima e maravilhosa que amo também.  Essa ocasião pedia um look que fosse bem babadeiro.

Não tinha nenhuma blusa ou vestido que estivesse à altura de drag queens, então resolvi caprichar na maquiagem e nos acessórios.

Usei um cílio postiço que comprei na Liberdade, em São Paulo. A região é cheia de lojas de cosméticos com uma infinidade de opções.

Ele me lembra um pavão, então resolvi usar duas sombras: uma lilás da avon (enchanted lilac) misturada com um glitter em pó da Contém 1g (Branco furta-cor).

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Para marcar o côncavo usei um azul marinho da Felicittá  (cor 25) que já apareceu aqui.

Esses cílios são leves e foram fáceis de colar (usei cola da Macrilan, transparente), quero usar todo dia.

Inspirada nas drags, resolvi fazer um bocão. Além de usar vermelho, aumentei um pouco o desenho da minha boca com o lápis.

Dica que fez o batom durar muito: Desenhei a boca e preenchi ela toda com lápis vermelho, depois passei o batom líquido Quem disse, Berenice? (cor: Veveli) por cima. Durou uma vida inteira.

 

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Queria um cordão que fosse enorme, gigante. Há tempos procurei para comprar e só achava bem caro.  Então resolvi misturar três para fazer um grandão. Além da diferença de preço, acabo usando mais, porque tenho a opção de sair com eles separados ou juntos.

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Aconteceu uma pequena tragédia e perdi todas as fotos desse dia. Só não fiquei sem nenhuma, porque  enviava fotos para as amigas fãs de drag toda hora. Mas acabei ficando sem uma imagem do look completo. Felizmente, ele aparece nas do meet.

 

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Quinta-feira vou contar aqui como foi esse encontro maravilhoso.

O que estamos fazendo com #primeiroassedio e #meuamigosecreto

Ei, gente! Ontem estourou nas redes sociais a campanha #meuamigosecreto, que incentivava mulheres a denunciarem formas cotidianas e sutis (ou não) de machismos que sofreram. O movimento sucedeu outro com grande adesão também: o #primeiro assédio.

Observei com muita atenção e participei dos dois episódios. Entre os relatos das mulheres, e a rede que se estabeleceu entre elas, teve também muito homem que não conseguiu ficar de boa. Na anterior, motivada pelo assédio virtual que uma participante do MasterChef Júnior sofreu, mulheres relataram como foi o primeiro assédio que receberam, ainda novas. Lembrando que utilizamos o termo “primeiro”, pois os abusos continuaram ocorrendo ao longo da vida, até sempre

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Eu fiquei muito emocionada, pois quando sofri meu primeiro assédio, quando um homem passou por mim na rua e enfiou a mão dentro da minha saia, eu não tive coragem de dizer absolutamente nada para ninguém. Passei a noite e o resto da semana no fundo do poço, e me sentindo suja e invadida.

Depois de anos (década) sem que eu tocasse no assunto, me tornei feminista (ou já era e apenas aprendi o termo), estudei sobre o tema, me empoderei um pouco, mas mesmo assim não tocava nesse ponto. Até que um dia, vi uma discussão sobre assédio na internet e resolvi falar sobre o que aconteceu, só para meu grupo de amigas feministas a amigos apoiadores. Foi libertador. Parece que virei uma página, tirei algo de dentro de mim.

Quando vi a hashtag #primeiroassedio acontecendo, fiquei bem feliz em ver várias manas se livrando daquele nó da garganta que há pouco tempo atrás eu havia tirado. Fora o bem que faz a você mesma, serviu, ainda, para escancarar a quantidade enorme, gritante, colossal de mulheres que sofrem assédio.

Em ambas as campanhas, muitos homens se incomodaram. E reagiram debochando, criticando, ou dando palpite. Uma das posições que mais me incomodou foi desmerecer o movimento chamando de ativismo de sofá, inútil e distante da realidade.

Ah, esses homens! Sempre nos “ensinando” como devemos conduzir nossa luta.

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Esses movimentos são maravilhosos. Nem só de rua são feitas as revoluções (mas também estamos lá). Nem tudo se resolverá com negociações políticas institucionais, boletins de ocorrências, aprovações de leis. Tudo isso é muito necessário também. TAMBÉM. Há algo de extrema importância acontecendo, que olhares preocupados em demasia em medir o impacto político e social “institucionalizado” não percebem.

Finalmente estamos quebrando esse silêncio que paira sobre as nossas cabeças há séculos. Uma quantidade enorme de mulheres teve a coragem de falar pela primeira vez sobre violências, silenciamentos e constrangimentos que sofreram. E o nosso ativismo de sofá observado pelos críticos é só a ponta do iceberg da mobilização que está acontecendo. Nas redes sociais há uma superfície visível de uma nova relação que se estabeleceu.

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Em muitas famílias, as mulheres contaram pela primeira vez umas para as outras sobre assédios que sofreram, e descobriram muitas semelhanças entre dores e de mães e filhas, tias e sobrinhas. Nos grupos fechados que participo, os relatos foram muito maiores do que os públicos. E a demonstração de alívio das mulheres em ter escrito sobre aquilo também.

Existe também uma rede de apoio online, em muitos grupos de diversas redes sociais, há inclusive alguns específicos para apoiar vítimas de violência e/ou abandono e mobilizar ajudas psicológicas, jurídicas e financeira.

Esses movimentos só são fora da realidade e inúteis para homens que estão lá nos seus lugares de privilégio e são incapazes de exercer empatia e perceber a importância do afeto e da quebra do silêncio para o empoderamento de quem sofre tanta opressão.

Além das críticas sobre nossos métodos, também teve uma incomodo enorme de homens que vestiram a carapuça e se viram refletidos nos relatos. É bom se acostumarem, agora que falamos muito sobre o que sofremos, os machismos mais reacionários e os mais sutis serão expostos, e quem ainda está se desconstruindo (ou não) vai ter que lidar com isso. Vão ter que segurar essa marimba aí, monamu. O silêncio acabou.

 

E não, não vamos admitir que nos digam de qual abuso podemos reclamar  e  nem como devemos conduzir NOSSA luta. Sei que é difícil a sociedade se acostumar a não dizer às mulheres o que fazer. E que os homens não estão acostumados a não terem a voz, o protagonismo,  e a ocupar um lugar de coadjuvante com humildade. Mas aceitem.

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Que apoiar? Deixo uma sugestão. Primeiro, tente praticar empatia, se coloque no lugar da mulher antes de emitir opinião sobre a violência que ela sofreu. Considero essa uma atitude intelectualmente honesta, e ajuda a evitar que bobagens sejam ditas, como falar para uma mulher do que é legítimo reclamar ou não, ou chamar de inútil um movimento que quebrou um silencio de séculos e gerou uma rede maravilhosa de afeto.

E lembrem-se:

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